Em busca do Jardim dos Anjos (Änglagard) [2.2.2012]
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Poucos projectos na história da música progressiva terão adquirido o estatuto que os suecos Änglagard alcançaram tão tardiamente e graças a uma tão esparsa produção.
Nascidos no início dos anos 1990 da vívida cena revivalista que percorreu um "underground" de Estocolmo altamente influenciado pela recuperação de instrumentos "vintage" como o Mellotron e pela redescoberta da obra de referência de bandas como os King Crimson, os Gentle Giant ou os Genesis gabrielianos, os Änglagard viriam a produzir, entre 1992 e 1994, dois álbuns de estúdio que se tornariam objecto de desenfreada procura por amantes de música e coleccionadores.
"Hybris", primeiro, e "Epilog", depois, encontram seis jovens músicos de excepção ocupados, sem complexos ou cedências à indústria, numa nova síntese do rock progressivo sinfónico "vintage", num verdadeiro esforço de reactualização que se revelaria absolutamente original. Ambos álbuns surgem como uma perfeitamente atingida fusão entre as vastas e melancólicas atmosferas nórdicas e a complexidade "vintage" dos primórdios do rock sinfónico, como mistura paisagística que alcançaria a harmonia perfeita na sua imensa diversidade. Apesar dessa originalidade, as invariavelmente longas composições, maioritariamente instrumentais (sê-lo-iam, integralmente, no maduro "Epilog") soam estranhamente familiares, porque toda a sonoridade remete para um passado tornado actual, numa síntese que, até então, mais ninguém havia realizado.

Os Änglagard manteriam, entretanto, uma estranha relação com a bruma do tempo. Bruma que os trouxe, bruma que os levaria, deixando como legado não mais do que esses três registos iniciáticos, sendo que o álbum ao vivo, "Buried Alive", surgido já depois de se saber que os Änglagard tinham deixado de tocar, revela toda a fidelidade e proficiência dos elementos do sexteto às suas composições originais.
E é das brumas do tempo que ressurgem notícias, aqui e ali, de reencarnações do projecto. Foi assim em 2003, num regresso que nunca se materializaria em disco, apesar de alguns concertos. E é assim em 2012.
Com a promessa de que, desta vez, o regresso o será mesmo. Ao vivo e não só.
Gouveia prepara-se, por isso, para ser testemunha de um mito em construção. O que, como se sabe, só acontece aos privilegiados.
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