N O T I C I A S


  Area, variações para piano por Patrizio Fariselli [7.2.2012]
        De formação clássica (estudou piano no Conservatório de Pesaro, Itália), tecnicamente muito dotado, Patrizio Fariselli constitui uma das figuras mais relevantes do progressivo italiano pelas suas ligações ao grupo Area, do qual foi fundador, teclista e principal compositor.
        Para além da atividade musical exercida enquanto membro dessa lendária formação italiana, Fariselli tem participado em diversos projetos na área do jazz e da música contemporânea, sendo de destacar as colaborações com Steve Lacy, Massimo Urbani, Paul Litton, Alberto Borsari, Curtis Fuller, Howard Johnson e Art Farmer. Paralelamente Fariselli tem desenvolvido uma carreira a solo onde revela toda sua criatividade como compositor e intéprete. A sua música é o resultado de diversas experiências musicais e experiências artísticas que vão do rock à música improvisada, passando contemporânea de matriz Cageana e até pelas bandas sonoras cinematográficas e pela música para a infância.
        Neste recital de Gouveia, Patrizio Fariselli irá revisitar a música dos Area, ao interpretar as variações para piano acústico que escreveu a partir de temas de peças famosas do grupo milanês.
Frédéric l'Epée

  Em busca do Jardim dos Anjos (Änglagard) [2.2.2012]

        Poucos projectos na história da música progressiva terão adquirido o estatuto que os suecos Änglagard alcançaram tão tardiamente e graças a uma tão esparsa produção.
        Nascidos no início dos anos 1990 da vívida cena revivalista que percorreu um "underground" de Estocolmo altamente influenciado pela recuperação de instrumentos "vintage" como o Mellotron e pela redescoberta da obra de referência de bandas como os King Crimson, os Gentle Giant ou os Genesis gabrielianos, os Änglagard viriam a produzir, entre 1992 e 1994, dois álbuns de estúdio que se tornariam objecto de desenfreada procura por amantes de música e coleccionadores.
        "Hybris", primeiro, e "Epilog", depois, encontram seis jovens músicos de excepção ocupados, sem complexos ou cedências à indústria, numa nova síntese do rock progressivo sinfónico "vintage", num verdadeiro esforço de reactualização que se revelaria absolutamente original. Ambos álbuns surgem como uma perfeitamente atingida fusão entre as vastas e melancólicas atmosferas nórdicas e a complexidade "vintage" dos primórdios do rock sinfónico, como mistura paisagística que alcançaria a harmonia perfeita na sua imensa diversidade. Apesar dessa originalidade, as invariavelmente longas composições, maioritariamente instrumentais (sê-lo-iam, integralmente, no maduro "Epilog") soam estranhamente familiares, porque toda a sonoridade remete para um passado tornado actual, numa síntese que, até então, mais ninguém havia realizado.

Änglagard em 2012
        Os Änglagard manteriam, entretanto, uma estranha relação com a bruma do tempo. Bruma que os trouxe, bruma que os levaria, deixando como legado não mais do que esses três registos iniciáticos, sendo que o álbum ao vivo, "Buried Alive", surgido já depois de se saber que os Änglagard tinham deixado de tocar, revela toda a fidelidade e proficiência dos elementos do sexteto às suas composições originais.
        E é das brumas do tempo que ressurgem notícias, aqui e ali, de reencarnações do projecto. Foi assim em 2003, num regresso que nunca se materializaria em disco, apesar de alguns concertos. E é assim em 2012.
        Com a promessa de que, desta vez, o regresso o será mesmo. Ao vivo e não só.
        Gouveia prepara-se, por isso, para ser testemunha de um mito em construção. O que, como se sabe, só acontece aos privilegiados.


  O reencontro de Shylock [31.1.2012]
        Pedindo o nome emprestado a uma personagem de Shakespeare, os franceses Shylock terão constituído um dos projectos simultaneamente mais extraordinários, misteriosos e meteóricos da história da música progressiva, o que os remeteria para o estatuto de lenda.
        A sua curta existência, na segunda metade dos anos 1970, foi desde cedo dominada por tensões no seio do grupo, tensões que resultariam no fim prematuro do projecto, após a edição de apenas dois álbuns. Em "Gialorgues” de 1976, e no seminal “Île de Fièvre”, apesar de uma sonoridade preenchida por uma matriz crimsoniana, os Shylock conseguiram desenvolver uma linguagem muito própria.
        Os seus membros separar-se-iam em 1979, seguindo trajectórias distintas. Apenas Frédéric L’Epée voltaria ao progressivo no final dos anos 80, fundando os Philarmonie, com quem lançaria vários trabalhos até 1999, partindo depois para outro projecto, os Yang, que o público de Gouveia teve a oportunidade de ver num excelente concerto no GoProg 2009.
        Chegamos assim a 2012 e a um momento único: o do reencontro de uma banda que o progressivo pensava ter arrumado nas gavetas da memória, eterna é certo, na sua proposta artística, mas irrepetível. Afinal...
        ...os Shylock provam agora que nunca se deve dizer nunca.
Frédéric l'Epée

  O regresso dos Univers Zero [27.1.2012]
        Sete anos e três álbuns depois de um memorável concerto na edição de 2005 do Gouveia Art Rock, os Univers Zero estão de volta ao festival.
        Para um novo concerto, o qual se deseja que fique igualmente na memória do público. Um concerto baseado num novo álbum, Clivages, mas com a atmosfera anterior, industrial e sombria, vanguardista e perturbadora, a mesma de Rhytmix e Implosion.
        Um concerto no qual o sexteto de Daniel Denis alternará entre peças marcadamente percussivas, grandiosas e massivas, que são a imagem sonora do grupo, com outras de verdadeira música de câmara, íntimas e calmas, ritmicamente menos intensas.
        Um concerto que se prevê profundamente musical. É que, como chegou a escrever um crítico da especialidade, «se Stravinsky tivesse uma banda rock, soaria assim…», como os Univers Zero.

Univers Zero

  Strawbs acústicos [15.1.2012]
        Esta lendária banda inglesa, em cujas fileiras se alistaram nomes como Rick Wakeman, John Hawken e Sandy Denny, entre outros, vai apresentar-se em Gouveia na sua versão acústica. Dave Cousins, Dave Lambert e Chas Cronk. Apenas eles: o fundador do grupo e dois daqueles que o acompanham desde ou áureos Anos 70. Um trio de guitarras acústicas, baixo, vozes. Apenas isso, que é o suficiente para interpretar, reinterpretar algumas das centenas de canções que constituem uma carreira de mais quarenta profícuos anos de atividade musical. Versões depuradas de alguns originais luxuriantes, mas que contêm em si toda a riqueza melódica que caracteriza a música dos Strawbs.
Dave Lambert Dave CousinsChas Cronk


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