N O T I C I A S

esfera California Guitar Trio Regressa ao GAR [24.3.2009]

        Dois anos depois de terem encantado o público com um recital fantástico na quinta edição do Gouveia Art Rock, o California Guitar Trio está de regresso ao palco do Teatro-Cine de Gouveia.
        O grupo formado pelo japonês Hideyo Moryia, pelo norte-americano Paul Richards e pelo belga Bert Lams traz um novo álbum na bagagem, o qual não deixará, por certo, de apresentar no festival. Em Echos, título desse novo trabalho discográfico, confirmam-se os atributos há muito reconhecidos na banda: virtuosismo, dinâmica e humor na execução dos instrumentais; excelência nos arranjos de peças de compositores clássicos (Beethoven) ou do universo progressivo (Mike Oldfield, Simon Jeffes e Pink Floyd).
Hideyo MoryiaPaul RichardsBert Lams
        Advinha-se assim que, à semelhança do que sucedeu em 2007, o California Guitar Trio proporcione um concerto de elevada qualidade à plateia do GAR, capaz de satisfazer tanto os entusiastas de progressivo como o público atento em geral. E é provável que, também desta vez, esta banda traga consigo algum convidado que enriqueça ainda mais o seu espectáculo.
   
                                                                                                                           

 Levin, Mastelotto & Bernier [28.2.2009]

        A conhecida paixão de Tony Levin pelo Chapman sitck teria de conduzir inevitavelmente à criação de um projecto consagrado a esse instrumento.
        A ideia começou a germinar em 2007, com a registo do seu mais recente álbum a solo, Stick Man. Nele colaboraram, entre outros, Pat Mastelotto, companheiro de Levin em vários anos de aventuras nos King Crimson, e indirectamente Michael Bernier, exímio executante de Stick, cuja técnica Levin muito admira. Este trio formaria o grupo Stick Men no ano seguinte, começando a dar concertos a partir de Outubro último.
Michael BernierPat MastelottoTony Levin Christian Décamps
        Apesar de ser uma formação recente, que ainda não gravou qualquer álbum com o seu próprio nome, os Stick Men apresentam-se já como um projecto musical de enorme valia em palco, pois contam o imenso talento de Bernier e a longa experiência de Levin e Mastelotto - o primeiro já tocou os maiores nomes do progressivo anglo-saxónico, dos King Crimson aos Pink Floyd, passando pela banda de Peter Gabriel e os Anderson Bruford Howe Wakeman, e o último também passou por ínumeros projectos de renome para além dos King Crimson, como os XTC, Mr. Mister, KTU, Flower Kings e Tuner com quem participou no GAR de 2007.
   

 A Universidade do Prof. Daevid Allen [24.2.2009]
        O australiano Daevid Allen é uma das mais incontornáveis figuras do progressivo internacional. Para além de ter fundado bandas lendárias como a Soft Machine em Inglaterra e os Gong em França, Allen tem-se reinventado a si próprio ao longo de uma carreira a solo que já conta mais de quatro décadas, tornando-se ele próprio uma lenda viva.
Daevid AllenJosh Pollock
        Já no final dos Anos 90, entre as múltiplas colaborações que entretanto cultivou, uma houve que persistiu e tem dado excelentes resultados.  Trata-se da University of Errors, que o quase jubilado Prof. Allen fundou nos Estados Unidos com a ajuda de três músicos de S. Francisco. O projecto envolve desde o início algum experimentalismo e ousadia como é timbre de Allen, indo para além dos limites tímbricos de um quarteto rock de duas guitarras, baixo e bateria.
Michael ClareWarren Heugal
        No concerto de Gouveia, para além de reinterpretar o seu próprio material, a banda irá revisitar o repertório da fase pop da Soft Machine e do tempo allienígeno dos Gong.
   

 Koenji "Zeuhl" Hyakkei [17.2.2009]
        Aqueles que tiveram oportunidade de assistir ao fantástico concerto dos franceses Magma na edição do GAR de 2007 por certo que não deixarão escapar a possibilidade de ver os japoneses Koenji Hyakkei em palco no festival deste ano.
Tatsuya YoshidaKengo SakamotoAhChristian Décamps
        Não se espere, no entanto, assistir à segunda parte do espectáculo dado pela banda de Christian Vander em Gouveia. Longe disso, pois há muita originalidade na formação do extraordinário baterista que é Tatsuya Yoshida, o fundador dos Koenji Hyakkei - e também mentor dos Ruins, outro projecto assombroso. Apesar de ser muito estruturada, a música do quinteto nipónico aparenta ser mais caótica que a do grupo francês e a velocidade de execução revela-se bem mais elevada, frenética e até estonteante.        
Keiko KomoriChristian Décamps
        Mas é na grandiosidade da arquitectura sonora que ambas as formações criam ao vivo que se encontra o principal motivo de atracção para o público entusiasta que procura os seus concertos. Uma grandiosidade tão característica dos projectos zeuhlianos, mas que já se encontra presente na música instrumental de Stravinsky e na vocal de Carl Orff, duas referências enormes da erudita arte dos sons do Séc. XX.        
   

 PFM, o Progressivo Italiano [11.2.2009]
        Desde os Anos 70 que PFM (Premiata Forneria Marconi) e progressivo italiano constituem designações sinónimas, qualquer que seja o contexto considerado.
Patrick DjivasFranz Di CioccioTakumi FukushimaChristian Décamps
        De facto, quando se alude ao progressivo italiano, o pensamento associa-lhe imediatamente a banda de Milão, já que a Premiata não só contribuiu de forma decisiva para a definição daquele subgénero, um progressivo sinfónico de grande invenção melódica, do qual as peças Impressione di Settembro, È Festa, e Per un Amico são um excelente exemplo, como também “fundou” um escola musical, que ainda hoje continua a estar na origem de interessantes projectos progressivos que lhe seguem o figurino.
Lucio FabriPiero MonterisiGianluca TagliaviniChristian Décamps
        Para além do mais, a Premiata continua a realizar concertos de enorme qualidade musical e de grande intensidade artística, compensando uma qualquer perda ínfima da frescura e da ousadia que ela tinha no início daquela década, com um incremento de mestria e de alegria em tocar. Na verdade, os concertos da Premiata constituem uma verdadeira festa, feita por músicos que revelam um imenso prazer em estar em palco. Músicos que se divertem intensamente, contagiando o público que a eles assiste.
        É que, em termos de espectáculo, PFM é também sinónimo de Festa.        
   

 A Linguagem dos Volapük [6.2.2009]
        Parece difícil encontrar um nome melhor adequado para um projecto musical do que Volapük, designação dada por Guigou Chenevier, Michel Mandel e Guillaume Saurel à formação por eles fundada em 1993. Na verdade, ao inspirar-se no sonho de Johann Schleyer, o "construtor" da linguagem internacional Volapük no Século XIX, também o grupo francês criou a sua própria linguagem, musical neste caso, tomando por base múltiplas referenças culturais, sobretudo europeias e asiáticas. A inclusão da violinista japonesa Takumi Fukushima, quatro anos depois, veio a dar maior longitude à transversalidade do projecto e a enriquecer orquestralmente a sua música.
Guillaume Saurel Takumi FukushimaChristian Décamps
        Ouvir os Volapük ao vivo costuma revelar-se uma aventura inesquecível (de notar a proveniência vanguardista dos seus membros: Chenevier foi fundador dos lendários Etron Fou Leloublan, grupo francês que chegou a integrar o movimento RIO nos Anos 70; Fukushima fez parte dos After Dinner, um grupo notável da nova música japonesa; Mandel e Saurel têm-se envolvido igualmente em diversos projectos da vanguarda francesa). A sua música complexa conduz os ouvintes por itenerários repletos de surpresas, contrastes e timbres inusitados. Mas a inclusão de diversos elementos étnicos, tornam a descoberta acessível e exótica, fazendo dela um experiência simultaneamente física e mental.
Guigou Chenevier Michel Mandel
       
   
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