Homenagem a Lars Hollmer [10.1.2009]
- Foi demasiado curta e, no entanto, suficientemente longa a vida de Lars Hollmer (1948-2008). Porque a Obra que deixa não permitirá nunca que o Homem se desvaneça da memória de todos - e foram muitos, ao longo de mais de quatro décadas do seu legado artístico -, os que com ele tiveram a fortuna de se cruzar. Encontros felizes, vividos na intimidade de uma sala de estar, no simples acto de escuta de um dos seus inúmeros registos, ou na comunhão partilhada numa das incontáveis salas de espectáculo que percorreu com os passos surpreendentes da sua multifacetada Arte. E, sempre, no dedilhado no seu acordeão, no toque suave da sua melódica, no modo vibrante como nos guiava em mundos novos, ou nos lampejos das estranhas vocalizações com que enchia o improviso de cada instante.
Compositor, mestre das sonoridades do mundo, de mil ritmos e melodias e de todas as aventuras nos universos paralelos da Música, Lars deixa-nos também a memória da singeleza, da sensibilidade, do trato simples, do sorriso.
É sempre curta a vida de um Homem assim.
Foi suficientemente longa para ser escrita a letras maiúsculas.
Lars Hollmer deixou a sua magia na edição de 2005 do Gouveia Art Rock. Na primeira noite do festival desse ano deu um recital memorável. E, como tantas vezes gostou de fazer ao longo da sua vida artística, partilhou ainda o palco com os canadianos Miriodor e com o fagotista belga Michel Berckmans, seu companheiro de aventura no projecto Von Zamla.
Essa passagem do músico sueco pelo GAR vai ser recordada na abertura da edição de 2009, pretendendo assim o festival prestar uma singela homenagem a um dos mais talentosos compositores e intérpretes de toda a música progressiva.
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