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CT - Poderias nos dar uma sinopse acerca do conteúdo do vosso último álbum, Pardon Our French?
MS - Normalmente não faço álbuns conceptuais, a não ser que seja numa abordagem estritamente técnica ou na forma de evitar “armadilhas de escrita” das quais me tenha apercebido. Muito simplesmente, os nossos álbuns compreendem uma selecção de temas que se encontram disponíveis. No caso de Pardon Our French, houve uma altura em que o nosso teclista começou a ficar saturado com excesso de trabalho de produção e daí que decidimos aliviá-lo. Por isso pusemos de lado um tema para o qual já tínhamos gravado a secção rítmica e gravámos uma versão de outrem (o que ultimamente já é uma tradição nesta banda), onde para além da guitarra baixo toquei teclas Enquanto fazia isto, estava a decorrer um revés na cultura norte-americana contra os franceses, devido á oposição destes à invasão no Iraque, que acabou por se manifestar em inúmeros acontecimentos insanos. Em particular, quando um relatório mencionava que a França estava a encontrar sérias dificuldades em arranjar famílias de acolhimento para estudantes franceses que pretendiam efectuar intercâmbios de estudos nos Estados Unidos da América. Acabei por fazer, num tom provocatório, um medley de temas clássicos do rock progressivo francês (Nota de CT: Este The “Pardon Our French” Medley conta com excertos dos Ange (La Bataille du Sucre), Pulsar (Tired Answers), Shylock (Laoksetal), entre outros.). Foi um pequeno gesto, porém deu-me gozo e serviu o seu propósito. Quando realizei o trabalho gráfico da capa do CD tinha isto em mente ao incorporar elementos da moda francesa dos anos 60.
CT - De que modo é que os French TV evoluíram nestes últimos álbuns?
MS - Bom, isso é uma pergunta difícil de responder, dado estar demasiado entranhado na música e na banda para ajuizar essa questão. O que tento melhorar é eliminar certos clichés de composição ou algo com o qual já esteja demasiado á vontade. Adicionalmente, tento optimizar o processo de gravação. Talvez no futuro tenha uma perspectiva mais bem definida.
CT - Certamente os French TV são capazes de romper barreiras e deixar a sua marca indelével; de que modo?
MS - Basicamente, através de uma constante pesquisa por programas de rádio, portais de Internet e revistas da especialidade que possam apreciar a nossa música. O ideal seria incrementar o número de espectáculos ao vivo; algo que estamos a estudar.
CT - Tem sido difícil manter a banda de pé, tendo em conta a distância que separa os músicos?
MS - Difícil certamente o é, contudo, da maneira como o conseguimos é um atestado aos tempos que vivemos e com a tecnologia que nos é disponibilizada.
CT - Ainda recorres a passagens escritas provenientes de revistas de banda desenhada obscuras a para dar títulos às tuas composições?
MS - Sim! O título "When the Ruff Tuff Creampuffs Take Over"", que baptizou um tema do último álbum, foi retirado de uma história de Robert Crumb, dado que ilustrava bem uma determinada secção rítmica dessa música.
CT - Como é que vês o estado actual do art rock no teu país, os E.U.A.?
MS - Condenado ao falhanço!... mas não faz mal. Qualquer outro ponto de vista é infrutífero. Se nos vamos deixar influenciar por factores económicos na nossa escrita de músicas, se houver alguma escrita de facto… é melhor estarmos quietos.
CT - Trará a cena actual algum benefício para os artistas art rock?
MS - Não esperes benefícios e não terás problemas de coração.
CT - Existe alguma conotação política nas músicas do French TV?
MS - Individualmente – falando por mim – sim. Como colectivo, não. No passado, sempre houve membros da banda que viam os personagens políticos como seres vis, ou em alguns casos com possuíam uma tendência direita-cristã. Contudo, o actual colectivo é unânime no seu desrespeito pelo Bush!
CT - Haverá planos dos French TV para o futuro próximo?
MS - Sim, encontramo-nos já a trabalhar num novo álbum, que será duplo. Por qualquer motivo, ficamos com uma abundância de temas novos e custa-nos muito deitá-los fora. Adicionalmente, eu, o Shawn Persinger (ex-Boud Deun), Guy LeBlanc (Nathan Mahl), e um baterista antigo dos French TV, Chris Vincent, gravámos alguns temas, os quais necessito pensar bem e definir uma prioridade para a edição de um álbum.
CT - Para além dos French TV, existe algum envolvimento dos elementos da banda nas artes em geral?
MS - Bom, o Chris Vincent é um excelente pintor, o saxofonista Warren Dale também se encontra envolvido na composição de música clássica contemporânea na sua universidade… e penso que é tudo.
CT - Poderias levantar o véu do que esperaremos do concerto dos French TV no Gouveia Art Rrock 2005?
MS - Não vislumbro as vossas expectativas. O nosso set é composto na sua maioria por temas novos, outros que não são tocados ao vivo desde 1997 e por temas só tocados uma única vez no passado. Tocaremos 2 temas do penúltimo álbum, bem como o já mencionado medley do novo álbum. O nosso mais recente concerto em Lecco, Itália, correu muito bem. Penso estarmos bem conscientes daquilo que fazemos.
* Esse festival infelizmente acabou por não se reeditar até hoje (CT)
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