E N T R E V I S T A S
Pascal Globensky (Miriodor)
O humor é vital para o nosso processo de criação
 
Eduardo Mota (Portugal Progressivo) - Quando e como começaram os Miriodor?
Pascal Globensky (Miriodor) - Começaram efectivamente em 1979-80 com um encontro entre François Émond e eu próprio. Gravámos então duas cassetes de música juntos. Um terceiro membro, Paul Dussault, juntou-se a nós, e pouco depois chegou o Rémi Leclerc. Foi a primeira formação dos Miriodor.
A história completa da banda pode ser lida no nosso portal.

EM - Qual é a origem do nome da banda?
PG - Miriodor é uma falsa palavra inventada por mim nos Anos 70. Saiu-me da boca enquanto contemplava um pôr-do-sol magnífico.

EM - Podes descrever a vossa música? Que papel desempenha o humor nela?
PG - É a banda sonora de um filme excêntrico e inacabado.
O humor é vital para o nosso processo criativo. Penso que ele aparece tanto na música como nos títulos das nossas peças. Quando compomos, temos presente uma série de imagens de tipo "cartoon", as quais tentamos transferir para os resultados finais.

EM - Quais são as principais influências dos Miriodor?
PG - São demasiado numerosas e variadas para as nomear. Cada membro da banda tem ouvido diferente material que o tem influenciado. E o som dos Miriodor resulta da mistura de todas essas influências.

EM - O Quebeque tem sido berço de muitos projectos de música progressiva: dos Sloche e Harmonium aos Rouge Ciel e Interference Sardines, incluindo, claro, os Miriodor, Conventum e outros. Que explicação encontras - ajuda governamental, por exemplo -, para isto suceder?
PG - É difícil responder!
No nosso caso, sim, o apoio governamental tem sido vital. Nós temos conseguido muitos subsídios. Sem eles, eu duvido que a banda ainda hoje existisse.
Nos Anos 70, o Quebeque constituiu um dos baluartes da música progressiva. Muitas das grandes bandas de então começaram aqui as suas digressões.
Creio que muita gente "respondeu à chamada" e quis criar a sua própria música.

EM - Pensas que a Internet esteve na origem do renascimento da música progressiva dos Anos 90? Achas que ela pode ajudar na promoção de música alternativa, especialmente projectos de avant-prog?
PG - Tal como acontece noutros domínios, a Internet tem sido muito benéfica para a música alternativa. É fácil agora (comparando com o que sucedia há trinta anos) achar CDs difíceis de arranjar, ou encontrar informação sobre qualquer banda. E cada uma pode ter o seu portal e informar o seus entusiastas do que está a fazer. É uma ferramenta espantosa.

EM - Durante a sua longa carreira a banda apenas publicou cinco albuns. Tal facto deve-se a alguma razão de mercado, ou antes ao tempo que a banda precisa para compor as suas peças complexas?
PG - É uma questão de tempo. Miriodor não é uma ocupação a tempo inteiro para qualquer um de nós. Todos temos outras bandas ou empregos paralelos. Por isso o tempo que dedicamos ao projecto Miriodor não vai além das dez horas por semana. Com o tipo de música que nós fazemos, leva mesmo tempo para produzirmos um álbum.

EM - Podes falar-nos do próximo trabalho dos Miriodor, "Parade", e da colaboração que Lars Hollmer para ele deu?
PG - Penso que 'Parade' possui elementos presentes nos nossos dois CDs anteriores, mas também avança em novas direcções. Penso que a nossa escrita amadureceu um pouco e que isso se pode ver no disso.
Nós temos trabalhado à distância com o Lars Hollmer, trocando CD-Rs. Foi formidável adaptar uma das suas peças inéditas e tê-lo também a trabalhar connosco. Eu sempre pensei que a imaginação do Lars e a nossa têm grandes afinidades. A sua integração no trabalho do grupo aconteceu sem qualquer emenda.

EM - Que reportório estão a planear tocar no Gouveia Art Rock?
PG - Principalmente  as peças de "Parade", mais umas quantas "velhinhas" dos dois álbuns anteriores.

EM - Que expectativas trazem os Miriodor para este Festival?
PG - Divertirmo-nos e conhecer gente!

EM - Grato pela atenção, Pascal. espero que façam uma boa viagem até Gouveia.

Montréal - Gouveia, 4 de Abril de 2005
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