CT - A ausência do violinista terá alguma influência no som global da banda?
AP - Não me parece. Periferia Del Mondo é uma banda que foi criada pelas mesmas cinco pessoas que nela tocam agora. O nosso primeiro álbum, “In ogni luogo, in ogni tempo” até foi gravado sem violinista. Apesar de nos sentirmos muito satisfeitos por o nosso amigo Alberto D’Annibale ter tocado violino connosco (agora ainda nos sentimos mais por ele se ter tornado pai de um bebezinho), a sua ausência não influenciará o nosso som. Por outro lado, nós já tocámos muitas peças de “Un milione di voci” sem violino e as pessoas ficaram agradadas com o som.
Max Tommasi - Certamente que sim. Mas não sou capaz de dizer se ficamos piores ou melhores, ou apenas… diferentes.
CB - Desde o início deste ano que já tivemos tempo para digerir a ausência do violino! Além disso, com uma pessoa a menos no grupo, cada um de nós passará a receber mais de cachet (ah, ah, ah!).
CT - Os membros da banda trabalham em projectos paralelos, compõem bandas sonoras, ou participam em sessões de estúdio com outros músicos?
AP - Todos os elementos da banda (felizmente eu sou excepção) têm profissões que não envolvem a música. Por isso é muito difícil para eles trabalharem com outros grupos musicais.
Pessoalmente tenho tido oportunidade de participar em diferentes projectos. Desde 1999 que toco com os Banco del Mutuo Soccorso. Em Novembro passado saiu “No Palco”, o primeiro álbum em que gravo com esta banda histórica do rock.
Também toco com um trio de etno-jazz chamado Eos, juntamente com o compositor e guitarrista Massimo Alviti (o qual pode ser ouvida na canção “Cercando la via” de “Un milione di voci” da PDM) e Andrea Piccioni (que é o percussionista dos Indaco, um projecto de Rodolfo Maltese). Iremos lancer um album no corrente ano.
Tenho particiado em albums de outras bandas como “Poco mossi gli altri bacini” dos Avion Travel (grupo vencedor da 50ª edição do Festival de Sanremo), e nos mais recentes das bandas Taproban e Museo Kabikoff.
Também toquei em bandas sonoras, do filme “Caterina va in città” (realizado por Carlo Virzì e com Sergio Castellitto e Margherita Buy) e da série televisiva “La omicidi”, a qual passará em Maio na RAI, that will be seen in May on RAI, da autoria de Riccardo Milani e com Massimo Ghini.
Enfim, quando tenho algum tempo toco também em orquestras ou bandas de jazz ou em grupos de música de câmara.
CT - Como é um dia normal na vida de um membro da Periferia del Mondo?
AP - Como disse atrás, todos nós temos profissões diferentes: eu tenho a sorte de trabalhar com música 24 horas por dia; o baterista Tony Zito é ourives e possui uma joalharia, onde faz as suas próprias jóias, um verdadeira artista; o baixista Cláudio Braico é enfermeiro num hospital de Roma; por sua vez, o guitarrista Max G.B. Tommasi e o teclista Bruno Vegliante são ambos programadores informáticos em duas firmas diferentes de Roma.
Uma ou duas vezes por semana, encontramo-nos no nosso estúdio para criarmos novas canções da Periferia Del Mondo.
CT - Atendendo ao panorama actual do rock progressivo em Itália, pensão que haverá espaço para tantas bandas?
AP - Esse é realmente um enorme problema, porque não há muito espaço para as bandas de progressivo em Itália. Há poucos anos, existia um festival chamado “Progressivamente” que acabou por se extinguir principalmente, julgo eu, por falta de interesse do público pelo rock progressivo. Mas a paixão faz milagres e todos os anos novas bandas e novos álbuns aparecem; raramente têm sucesso comercial como acontecia nos Anos 70's, mas eu penso que é importante conservar esse adorável género musical.
Bruno Vegliante - Temos que admitir que actualmente o rock progressivo se encontra fora do negócio da música, por isso é normal que não haja espaço suficiente para as bandas que tocam esse género musical.
MT - Eu diria até que muitas dessas bandas acabarão por desistir… e começarão a tocar música original em vez cópias pálidas de algo que já não pode ser recreado. É que se ainda não se aperceberam… os Anos 70 já foram… e, na minha humilde opinião, nós deveremos respeitar profundamente esse passado que todos amamos, direi mesmo, com imensa ternura… mas o passado não pode ser repetido, nem isso é desejável que aconteça. Por isso muitas bandas, do chamado circuito do rock progressivo marginal, soam todas do mesmo modo… e mal. Eu chamo a isto uma espécie de cultura de auto-limitação, a qual se aproxima muito do conceito de auto-destruição.
CT - Esperam lançar algum álbum novo num futuro próximo?
AP - Tenho esperança que no próximo ano possamos publicar o nosso terceiro álbum, chamado simplesmente “Periferia Del Mondo”. Um álbum que será mais pessoal, mas cheio de ideias, no espírito da PDM. Posso assegurar-te que nele não haverá convidados especiais. Seremos apenas nós os cinco e a nossa música.
MT - Sim, mas eu não sei dizer o quão próximo será… E vai ser muito difícil colocar-lhe uma etiqueta… será apenas um album de rock, com o habitual cheirinho a jazz que nós gostamos de espalhar.
Tony Zito - Nós estamos já a trabalhar em peças novas que integrarão um álbum que irá continuar o nosso projecto musical… no entanto, ele não será exclusivamente progressivo.
CT - Planeiam trabalhar, num futuro próximo, com outros artistas de progressivo dos Anos 70?
MT - Eu penso que o nosso objectivo deve ser trabalhar com novos artistas do panorama da música contemporânea, progressivos ou não. É um prazer trabalhar com gente como Francesco Di Giacomo e outros, mas tenho que me repetir… Os Anos 70 já foram.
Mas, apesar destas considerações, estamos a planear tocar com o Patrizio Fariselli Jazz Trio.
CB - Nós estamos agora trabalhar com um artista internacional que não é muito conhecido: chama-se John Jowitt.
AP - Para Maio, estamos a planear fazer uma pequena digressão com o Patrizio Fariselli Jazz Trio. Encontrámo-nos com o lendário teclista dos Area e concordámos em dividir os concertos em duas partes, numa toca a PDM e na outra o Patrizio com o seu trio, havendo um final em todos juntos tocamos uma ou duas peças dos Area. Obviamente que esperamos gravar estes concertos (nós tentamos sempre gravar os nossos concertos), porque estamos a preparar o nosso primeiro álbum ao vivo com os melhores momentos gravados. Por isso, nós esperamos que o Gouveia Art Rock Festival seja uma “good take” para nós... e penso que será.
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