Luís Loureiro (Portugal Progressivo) - Por onde têm andado os Forgotten Suns depois da última aparição ao vivo em 2002?
Linx e Ricardo Falcão (Forgotten Suns) - A banda esteve durante parte de 2002 e todo o ano de 2003 a compor e a produzir o novo album. Cerca de 80% das gravações foram feitas durante duas extenuantes, mas inesquecíveis, semanas em Portalegre no mês de Julho e depois até ao fim de 2003, já em Lisboa, foram gravadas as vozes, alguns convidados, bem como os mixs dos singles, os vídeos, a especial participação de Michael Romeo(Symphony X)e a masterização.
P - "Snooze" é o nome do novo álbum que está para ser lançado... podem levantar um pouco a ponta do véu sobre o trabalho?
R - Trata-se da continuação do primeiro trabalho… a saga continua. No entanto a história de “Snooze” pode funcionar individualmente. Fala-nos do que acontece a toda a gente quando não consegue realizar os seus sonhos… acaba por ter um pouco a ver com os Forgotten Suns num hipotético futuro menos solarengo, menos iluminado. A nível musical, este é um disco mais pesado e com mais vocalizações que o primeiro e com teclados de certa maneira diferentes, temos também um novo baterista o que confere à banda uma nova dimensão rítmica, talvez menos exuberante em certas partes, mas sem dúvida muito mais eficaz e com muito mais força do que as de Fiction Edge 1… e mais não digo…
|
P - Continua a haver muitas aproximações às bandas que influenciaram o primeiro álbum, "Fiction Edge I (ascent)", os Marillion e os Dream Theater?
R - Cremos que este disco revela uma banda com uma personalidade já muito própria; demos connosco durante as misturas a tentar buscar referências e parece nos mais complicado.Irá haver comparações ás bandas que são referencia neste género musical, já sabemos que é sempre assim, o que para nós é sinal de qualidade..no primeiro disco fizeram comparações a bandas que nunca tínhamos sequer ouvido.
Desde Fiction Edge I a banda está cada vez mais ecléctica e como tal o leque de influências é maior...tudo estará reflectido em Snooze.
P - A banda passou por várias alterações... de que modo as entradas e saídas afectaram o ambiente criativo dos Forgotten Suns?
R - A saída que mais tempo levou a recuperar para a banda foi de facto a do teclista Miguel Valadares pois era considerado por nós um dos motores criativos da banda. Experimentámos muitos teclistas depois da sua saída e entretanto fui assumindo progressivamente o trabalho de teclados (o que me deu muito stress e ao mesmo tempo muito gozo) até que acabei por ficar responsável por essa parte do trabalho. No entanto é um desejo da banda encontrar um teclista criativo o mais depressa possível… para já temos um profissional que vai executar os teclados ao vivo e depois logo se vê. A nível de baterias, talvez porque a substituição foi rápida não notámos tanta diferença embora o Sam seja um baterista bem diferente do Nelsun, ambos têm um estilo muito próprio. Talvez por conhecer muito bem a linguagem prog o Sam adaptou-se e trabalhou muito bem desde que entrou nos Forgotten Suns… chegando mesmo ainda a compor muito do material de “Snooze”. Resumindo: julgo que a banda nunca esteve tão segura de si como está agora e isso é que é importante.
P - Como é fazer rock progressivo num país com pouca tradição no género?
R - Esta é uma pergunta que tem muito que se lhe diga, mas,para abreviar, apenas dizemos que fazer rock progressivo em Portugal é um previlégio conquistado que poucos conseguem alcançar. Nós temos plena consciencia que é necessária uma força de vontade inquebrável, muita teimosia, muito gosto pela musica, algum engenho,laços fortes de amizade e muito espiríto positivo.Depois disto tudo as coisas começam a formar-se e a acontecer naturalmente.
Grande parte desta perseguição dos sonhos por realizar é uma das maiores mensagens que tentamos trasmitir com este novo album, especialmente na faixa Dream Killer onde o tema é quase autobiográfico.
P - Gouveia será, em princípio, o vosso regresso aos palcos... O que esperam do festival?
R - Mais uma vez, é com grande sentido de responsabilidade e muito orgulho que vamos representar a música progressiva de Portugal ao lado de grandes nomes internacionais. Julgo que este festival terá melhores condições de luz e som que o de Guimarães pois terá lugar num recinto fechado onde será bem mais fácil fazer uma grande festa com o público. Estamos ansiosos por voltar a pisar um palco com esta importância. Esperamos estar ao nível das outras bandas que vão pisar este grande palco e que os seguidores dos Forgotten Suns apareçam com a mesma força e entusiasmo a que já nos habituaram para mostrarmos a todos que em Portugal também se pode fazer bom prog.
P - Que tipo de espectáculo está previsto? O alinhamento irá revisitar o primeiro álbum também, ou será essencialmente uma apresentação do novo álbum?
R - O que podemos garantir é um espetáculo que não se vão arrepender de ter assistido.É a nossa 2ª aparição em Festivais de Progressivo, o espetáculo vai ser gravado para possível edição em Dvd e teremos um alinhamento para 80 minutos cheios de energia onde queremos agradar a todos os que compraram bilhete para o espetáculo.
P - Os Forgotten Suns são conhecidos por terem uma aguerrida falange de apoio nos vossos concertos. Os fans mantém-se unidos ou terão dispersado depois de dois anos de ausência dos palcos?
R - É normal que os fãs se tenham afastado um pouco uns dos outros uma vez que não ouvem nada de novo por parte da banda à algum tempo… mas tenho a certeza que quando ouvirem “Snooze” todos se vão voltar a encontrar novamente na festa da música e muitos novos apreciadores da banda se irão dar a conhecer. Por nós, os Forgotten Suns nunca mais voltarão a estar sem lançar material novo tanto tempo, disso podem ter a certeza… Inclusivamente até ao final de 2004 estamos já a pensar seriamente em coisas novas. Nunca estivemos tão vivos e de tão boa saúde! Aguardem só mais umas semanas e vão ver…
|