E N T R E V I S T A S

Thomas Olsson (Isildurs Bane)
Não estou certo que o público do festival se tenha já apercebido do quão especial este evento se está a tornar.
 
LL (Luís Loureiro) – Desde que os Isildurs Bane estiveram em Gouveia, com o sucesso que conhecemos, no festival de 2004, muitas coisas aconteceram no seio da banda. Do conceito MIND (music investigating new dimensions) o projecto evoluiu para o conceito IB Expo. A que é que corresponde esta evolução? De que forma se pode enquadrar a intervenção artística actual dos Isildurs Bane?
TO (Thomas Olsson) – De facto, hoje, os Isildurs Bane devem ser vistos mais como um “projecto” do que como uma “banda” regular. Esta será, talvez, a forma mais simples de responder à pergunta. Os tempos mudam e nós queremos mudar também, experimentando e incorporando tecnologias novas e formas novas de trabalhar. Penso que esta postura nem sequer surpreende aqueles que realmente conhecem o que tem sido a evolução da obra musical dos Isildurs Bane. Aquilo que hoje fazemos tem muito pouco a ver com os primeiros trabalhos.
Assim, aquilo que produzimos no seio da IB Expo não é mais do que o que temos vindo a fazer ao longo do tempo. O nosso propósito é criar e interpretar música que seja interessante e que possa atingir artisticamente os mais elevados padrões. As formas de o conseguir diferem consoante o projecto e os músicos participantes.

LL – Esta é a primeira vez que a IB Expo terá uma espécie de “repetição”, sendo trazida para fora da Suécia, praticamente com os mesmos músicos que participaram na edição de 2006 em Halmstad. A ideia é preservar o espírito original ou devemos preparar-nos em Gouveia para “algo completamente diferente”?
TO – Sem querer contar-vos tudo, acho que posso pôr as coisas assim: ninguém vai dar por perdido o dinheiro do bilhete. Nós tendemos a ver todos os músicos como uma autêntica equipa, e esta equipa pode tocar junta como se de uma IB Expo “big band” se tratasse. Mas os músicos podem também tocar a solo, em dueto ou em qualquer outra combinação. Cada concerto é, assim, um momento único, que pretende atingir qualquer coisa especial. Além disso, quando temos o privilégio de ter connosco grandes músicos como o Björn, o Christian, o Luca, o Markus ou o Pat, todos brilhantes improvisadores, está certamente garantido um excelente concerto.
Acho que as pessoas podem esperar um equilíbrio estimulante entre pura composição musical e improviso.

LL – Qual é o verdadeiro propósito da IB Expo? Estariam os Isildurs Bane nalguma encruzilhada, em que a direcção musical seguida vos levou a procurar um público mais alargado e diverso?
TO – A IB Expo nasceu de uma troca de ideias entre mim e o Mats Johansson. De certo modo, a IB Expo foi uma consequência da série MIND. Penso que nunca seria possível partirmos para o projecto sem as gravações do projecto MIND, especialmente sem a colaboração que iniciamos com o Christian Saggese, o Franco Feruglio e o Luca Calabrese (Metamorfosi Trio). Eles transportaram até nós um conjunto de novas ideias que hoje incorporamos naturalmente.
A série MIND tentou conscientemente desenvolver ideias musicais situadas em áreas e abordagens diversas, umas menos óbvias que outras. Com a IB Expo tivemos a oportunidade de chamar novos músicos a colaborar connosco. Esses parceiros da IB Expo têm sido cuidadosamente escolhidos, tendo em conta as suas extraordinárias qualidades. Esse é um ponto-chave do qual não abrimos mão. O nosso limite é sempre bastante elevado, e se com isso, conseguimos chegar a novos públicos, excelente, mas nunca o faremos descaracterizando a nossa visão artística.

LL – O que é que significa verdadeiramente a possibilidade de colaborar com músicos como Jerry Marotta, Pat Mastelotto, Markus Reuter ou Mick Karn?
TO – Ao fazermos as nossas escolhas para a IB Expo, tentamos sempre encontrar músicos de que gostemos pessoalmente e que possam enquadrar-se no espírito da IB Expo. Até agora não nos enganámos. Todos se juntaram ao projecto e retiraram prazer disso, como nós próprios. O passo lógico que se segue é continuar a expandir a nossa esfera musical, mantendo a colaboração com os músicos que temos tido o prazer de contactar durante as IB Expos. Esperamos ter resultados práticos disto no final deste ano ou no início do próximo.

LL – Tendo em conta a primeira experiência dos Isildurs Bane no Gouveia Art Rock 2004 e o alinhamento anunciado para 2007, o que esperam venha a ser este festival?
TO – Primeiro: estamos muito felizes e orgulhosos por sermos a primeira banda a ser convidada a regressar ao Gouveia Art Rock. Não estou certo que o público do festival se tenha já apercebido do quão especial este evento se está a tornar. A atmosfera amigável, a atitude profissional e a paisagem lindíssima são factores que transformam o Gouveia Art Rock no nosso festival de eleição. Tudo isto torna ainda mais única a sensação de felicidade que sentimos ao trazer a Gouveia a IB Expo, na primeira vez – que não será a última - que o projecto sai de Halmstad.
A reacção que tivemos aqui em 2004 foi simplesmente fantástica e ainda bem que esse concerto foi captado para DVD, o que permite a todos a possibilidade de reviver esses momentos (ou vivê-los, simplesmente, para quem não esteve lá).
Além disso, quem não se sentiria feliz ao partilhar um palco que vai ser pisado por Robert Fripp, California Guitar Trio ou Magma? Daremos o máximo para que as pessoas sintam que valeu a pena o concerto de sábado à noite. Com uma “pequena ajuda” dos nossos amigos, estou certo de que vamos conseguir.

15.Abril.2007
Clique na seta se pretende
aceder ao índice de entrevistas.